Tudo que o investidor inteligente deseja ao entrar no mundo dos investimentos é um mercado de baixa de 20 anos, para que ele possa comprar ativos a preços baixos em relação ao valor das empresas. -Adaptado de "O investidor inteligente - Benjamim Graham"

domingo, 9 de junho de 2013

Apartamento - Quando Comprar?

Imagine que você foi a um feirão da caixa, e lá chegando ficou impressionado. Pode pagar em 35 anos, a entrada é somente 10% do valor total, e os juros estão muito próximos daqueles que o tesouro direto paga para o longo prazo. Você é novo, não tem muito capital, mas só 10% de entrada você possui. Então compra seu apartamento, passa 35 anos pagando, apertado por uma prestação que consome 30% da sua renda familiar, e jamais obtém sua independência financeira. Mas você bate no peito e diz: -“pelo menos não joguei dinheiro fora pagando aluguel”. Vou analisar agora essa decisão difícil, porque lida com o emocional, o apelo de possuir seu canto, seu lar.
Primeiro, vou precisar assumir algumas premissas. Pra extrapolar e mostrar a dificuldade que é comprar um imóvel hoje, principalmente no Rio, Brasília e São Paulo, vou considerar que a família tenha uma renda familiar de R$20.000,00. Parece muito, e de fato poucos a tem, mas simulando no site da caixa, e considerando que você só dispõe de capital hoje para dar 10% de entrada, seu limite de valor financiado fica em R$657.000,00, conforme a tabela abaixo:



Este limite ocorre porque a caixa limita o valor máximo da primeira parcela não pode ultrapassar 30% da renda bruta familiar, ou algo perto disso (não tenho conhecimento do limite exato).
Com esse valor, nosso amigo poderia morar num apartamento de 2 quartos simples na zona sul do Rio de Janeiro, com uma grande probabilidade de ser em Copacabana ou Botafogo, ter entre 50 e 90 m² , e não ter garagem, vide o link abaixo:
Com sorte e paciência para pesquisar, deve dar para encontrar um com suíte e garagem, num local agradável, mas não nas ruas mais valorizadas de cada bairro.
O sistema mais utilizado de pagamento para financiamentos é o de amortização constante(SAC), no qual todo mês você quita uma parcela igual do saldo devedor, e os juros são calculados com base nesse saldo. Isso significa que para saber o quanto você amortiza por mês, basta dividir o valor total da dívida pelo prazo em meses. Como a entrada é de R$65.700,00 (10%), a amortização mensal será igual a R$593.700,00 dividido por 420 (35 anos), ou R$1407,85. Outra maneira mais rápida, mas um pouco imprecisa é pegar o valor da última parcela, R$1417,56. Todo o resto é juros.
Perceba que a primeira parcela é de mais de R$5.600,00, e após 10 anos você ainda estará pagando cerca de R$4500,00 por mês, e mais que isso, você pagou em média R$5000,00 por mês durante dez anos, justo quando você deveria estar acumulando capital para adquirir sua IF. Ainda, nesses longos 120 meses você amortizou R$168.942,00 da sua divida. E pagou R$438.521,00 de juros em valores nominais, ou aproximadamente R$3650,00 por mês de média.
Agora vamos supor que nosso amigo resolva adiar o sonho do apartamento próprio em 10 anos. Ele se defronta com as seguintes possibilidades: Alugar um apto com as mesmas características do seu, ou fazer um downgrade, talvez morar na Tijuca. Se mantiver o padrão, deve pagar cerca de R$2.700,00 por mês. Se for para Tijuca, o mesmo tipo de apto sai por volta de R$2.000,00. Supondo que nosso colega mantenha o compromisso de não gastar a diferença entre a parcela do financiamento e o aluguel, ele terá até R$3.000,00 por mês para investir e formar capital, mais os R$65.700,00 que ele juntou para a entrada. Vou desconsiderar qualquer efeito de inflação, e também de subida no valor dos imóveis, já que considero muito difícil que os imóveis subam mais que a inflação nos próximos 10 anos (já fizeram isso nos últimos 5, e o movimento deve perder força agora). Do mesmo modo, não vou considerar o efeito da inflação, assim como de acordos coletivos ou subidas de salário que sejam advindas da inflação. Porém, no final do período vou considerar a progressão de carreira do casal, que talvez tenha uma renda de R$30.000,00 (R$500,00 de aumento per capita por ano).
Aqui vou fazer uso de uma planilha que baixei do site http://hcinvestimentos.com/, a de acumulação de capital. Como o prazo não é muito longo, o valor poupado será direcionado para renda fixa (TD), e vou considerar o juro médio anual na casa dos 9,5% (mais de 10 no início, com títulos mais longos, menos de 9 no final). E não dá para esquecer do imposto de renda, 15%. Eis o resultado:



Veja só, em 10 anos nosso amigo juntou, já descontado o valor do aluguel, o suficiente para pagar o apartamento a vista. A partir daí, ele pode comprar o apto a vista, comprar algo melhor, ou financiar metade e investir a outra metade, sendo que nesse caso a prestação inicial seria de R$3.000,00, permitindo que ele mantenha os R$2.000 como aporte (ou até mais, visto que a renda familiar aumentou).

O curioso é perceber que se utilizar todo o capital como entrada num financiamento, poderá comprar um apartamento de R$1.200.000,00 pagando uma prestação inicial menor que no primeiro caso:



Conclusão: Se o valor a ser pago de juros no financiamento de um imóvel qualquer for maior que o valor do aluguel de um apartamento onde você esteja disposto a morar, vale a pena, financeiramente, se manter no aluguel e economizar a diferença. Você pode reduzir e até 25 anos o prazo de pagamento de um apartamento. Claro que, em determinado momento, a maioria das pessoas precisa de um lugar para chamar de seu, mas esse momento pode, e deve ser adiado, se você também deseja desfrutar da grande  independência que é a financeira!

Um abraço do Urso!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Fechamento de Maio

Mais um mês passeando na Montanha Russa da Ibovespa. Sobe, Sobe, Sobe devagar, e depois desce rasgando suas entranhas, rápido, praticamente em queda livre. Pibão não veio, e o mercado bateu forte. E pensar que no pico do mês eu tive quase 5% de rentabilidade no mês. Mas consegui manter-me no positivo, e meu gap para o índice continua crescendo, então ainda estou confiante na minha estratégia. Aliás essa queda é boa, pena que estou descapitalizado. Uns 20 mil na minha mão e eu ia as compras. Quase qualquer merda que você compre vai subir um pouco(eu disse QUASE), mas no momento estou descapitalizado. Compras, só com aporte, e esse mês foi a última compra que fiz. Mês que vem eu divulgo a carteira, porque antes de comprar mais ações, estou pensando em me desfazer de algum papel, por que estou com muitos para acompanhar, e pouco dinheiro em cada. Além do mais, estou pensando em guardar o aporte para decidir mais na frente se vale a pena comprar alguns títulos depois que o BC terminar de subir a taxa de juros. Enfim, compras agora, só no final do ano, provavelmente quando a taxa de juros parar de subir, que é quando eu vou ter uma posição sobre o que fazer.
No trabalho, estou focado somente no meu trabalho principal, apesar de que alguns amigos estão tirando uma grana alta fora, eu estou de olho nas promoções internas, pq acredito que possa ganhar mais dinheiro sem aumentar tanto a carga de trabalho. Por isso, meu aporte agora está se aproximando do que eu acredito se viável a longo prazo, este mês aportei R$ 3650,00, sendo que R$1000,00 ainda não tiveram destino e estão na poupança.
Segundo o sistema de cotas:

Fiz algumas projeções futuras, e percebi que o gráfico de barras não vai ter futuro, por que com muitos dados ele fica confuso, e ruim de ser visualizado. No final do ano vou trocar por um de linhas, que é menos poluído. Mas por enquanto este está bom. Estou chegando nos 40 mil, mas o checkpoint que eu estou de olho mesmo é o de 50 mil, bastante simbólico no início, so perde pro de 100 mil.


Estou com meus estudos mais focados no tesouro direto neste momento, mas de vez em quando dou uma passada rápida em alguns balanços. Mas com rentabilidade abaixo da nova poupança no momento, talvez o TD sirva para manter a rentabilidade mais estável!

Um abraço do Urso.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Repensando a estratégia de investimentos

Em todos os livros, blogs e textos de investimentos que li, o foco é sempre a formação da carteira, a compra dos ativos. A manutenção da carteira, a venda dos ativos e outras atividades, quando não são automáticas, fica meio em segundo plano.
Me deparei então com a necessidade de avaliar minhas escolhas, após quase 5 meses na bolsa, e também após saírem os resultados do 1o semestre. Afinal, 1 semestre é suficiente pra decidir que uma ação não é mais boa, ou que nunca foi? Existe um sobrepreço que justifique vender? Se os resultados não estão bons, vale a pena realizar prejuízo? Com a bolsa andando de lado, vale a pena manter 100% em renda variável?
Não tenho resposta definitiva para essas perguntas, mas até agora penso que:

1 - 1 semestre não decide muita coisa, a não ser que a mudança seja muito brusca , motivada por fatores que tendem a ser recorrentes, como aumento de custos de produção, queda no preço de venda do produto, entrada de concorrente forte, etc. Quanto as que nunca foram boas, não tenho dúvida, se vc faz uma aposta numa empresa que parece estar melhorando, e vc percebe que vai dar água, melhor é realizar um prejuízo pequeno.

2 - Preciso estabelecer uma métrica para isso. O P/L pode ser um bom ponto de partida, mas somente se o crescimento dos lucros se mantiver +- constante. Se o crescimento disparar, o P/L tende a aumentar e eu posso perder uma grande mina de ouro nessa. Quando tiver uma metrica eu posto aqui. Sugestões são bem-vindas.

3 - Essa é a armadilha numero 1 do investidor. Desculpas pra não vender sempre incluem "vou fazer preço médio", "vou manter para o longo prazo", "já já sobe", e por ai vai. Minhas empresas estão com lucro razoável, apesar de algumas terem desapontado a expectativa do mercado, mas acho que por enquanto vou manter todas, mas não descarto vender algo após os próximos resultados trimestrais.

4 - Esse é um ponto chave pra mim. Comecei bastante empolgado e firme na renda variável. Mas isso num contexto de queda absurda dos juros e pensando somente no longuíssimo prazo. Além disso, não estou satisfeito com o processo de compras mensais, por que tenho verificado que é mais barato comprar em lotes maiores, e talvez até pensar numa estratégia para ter um timing melhor(VALE por exemplo, só pensei que talvez 39 fosse um preço bom, nem me toquei q o mercado ainda ia bater nela + tempo). Juntando tudo isso com a subida da SELIC, pretendo a partir de agora colocar dinheiro na poupança e esperar a próxima oportunidade, seja na renda variável, seja na fixa. Na fixa talvez eu comece a comprar títulos com um certo prazo pensando numa possível entrada para um apartamento. Na variável, talvez uma tacada maior após um bom resultado, me de melhores ganhos.

Então, a partir do fechamento desse mes, veremos uma tabela separada com o saldo da poupança, e a qualquer momento posso rapar ela e investir novamente. Posso inclusive, passar meses sem comprar nenhuma ação, e colocar tudo na poupança.

Então a partir de agora meu foco, estudo e raciocínio estarão mais voltados para a gestão da carteira!

Um abraço do Urso!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Fechamento de Abril

De volta da hibernação forçada. A bolsa continua no seu movimento meio de lado, meio que descendo a ladeira. Pelo menos me mantive acima o Zero. Ando trabalhando muito, estou chegando a conclusão que não vale o aporte extra, acho que vou parar de fazer extras, ou pelo menos diminuir.
Sem delongas, segue o fechamento do mês, pelo sistema de cotas:



Comprei algumas ações da Bematech, e fiquei com a sensação que cheguei no final da festa. Também comprei mais algumas Whirlpool e a cotação explodiu no final do mês, compensando a primeira ação.
Na VALE fiz PM, e a estratégia segue no longo prazo.

Recebi dividendos da VALE e da Copasa, nada muito expressivo.


Finalmente estou colocando o gráfico de evolução aqui. Ultrapassei os 30 mil! Rumo aos 40!
A força do aporte é impressionante, mas já estou ficando sem forças pra mante-lo...



Esse mês não vou colocar a carteira, aquela tabela dá um certo trabalho e me expõe, então vou coloca-la periodicamente, só para fins de estudo e credibilidade, mas não decidi ainda se bimestral, trimestral, ou sei lá.

Voltando as metas qualitativas, o IBOV ta me segurando igual um zumbi! Agora to perdendo pra todos os Benchmarks, menos o próprio IBOV. Também enchi um pouco de estudar investimentos e foquei minhas leituras em outros assuntos. Estava saturado!

Sem mais, um abraço do Urso.



domingo, 31 de março de 2013

Fechamento de Março

Neste mês percebi o quanto nós, seres humanos, somos desinteressantes e temos dificuldades de falar sobre assuntos relevantes. Não faltou tempo para escrever no blog. Faltou inspiração para escrever sobre assuntos que não fossem ou não contemplassem o aspecto pessoal. Temo que ao longo do tempo vou acabar afrouxando a minha política de informações pessoais zero, para não limitar minhas postagens ao fechamento mensal, como ocorreu neste mês de março.

Voltando aos investimentos, o Ibovespa vem sangrando com força esse ano. Porém, minha carteira está bastante descolada do índice, com boa rentabilidade, o que é meio ruim, porque algumas ações que sobem podem sair do meu preço alvo de compra, o que vai me trazer o trabalho adicional de escolher novos papéis, além de decidir se há um preço onde devo começar a vender, o que não fiz ainda.
O mês foi positivo também no aporte, segurei nas despesas, não tive os custos que a época de festas traz, e ainda ganhei um bom extra, traduzidos em R$ 7.400,00 de aporte, recorde mensal desde que comecei a juntar dinheiro. Como novidade também, vou disponibilizar a composição da minha carteira, decidi que não há mal nisso (por enquanto).

Na planilha do ADP, o reseultado ficou assim:


No gráfico de evolução, é interessante notar que este mês ultrapassei munha meta mensal, e caminho forte rumo aos 30 mil:


Esta é a composição atual da minha carteira, com os preços médios de compra e quantidade:



De poucos amigos com os quais conversei sobre minhas intenções de compra, uma crítica que ouvi foi que minha diversificação era excessiva frente ao capital investido. Porém, considero minha diversificação um reflexo do meu atual estágio de conhecimento. Como não me sinto seguro para colocar meu capital em 5, 6 empresas, acho coerente distribuir em mais de 10. Fico imaginando se tivesse escolhido 3 ou 4 pra começar, e tivesse colocado VALE entre elas. Ou pior, podia ter feito algo semelhante ao pobretão, com consequências que podem ser irreversíveis. Enfim, estou satisfeito com minha estratégia atual, e posso até adicionar outras empresas, mas claro que a partir de agora a prioridade será aumentar a posição nos papéis que não subirem muito de preço.

A corrente de dividendos também começou a fluir, e recebi os seguintes valores:

08/03/2013
BBAS3
26,05
26/03/2013
ETER3
40,80
28/03/2013
BBAS3
45,04

Total: R$ 111,89

Por fim, as velhas metas qualitativas:


1) Bater a inflação todo ano. (não dá para perder dinheiro) 
Consegui boa rentabilidade novamente Tenho tido dificuldade em calcular este índice mas tenho certeza que está menor que meu rendimento acumulado de 2,98%. Assim que tiver um ano de dados, vou passar a utilizar o índice dos últimos 12 meses, que é mais fácil de obter, e passo a comparar com a minha rentabilidade dos últimos 12 meses também..
2) Bater a poupança todo ano. (Senão de que serve tanto tempo lendo livros e blogs?)
Estou quase na taxa anual da nova poupança, que não deveria nem ser chamada de investimento mais...
3) Bater o ibovespa todo ano. (BOVA11 ou outros estão aí pra quem quer seguir índices)
O índice está sofrendo bastante, -7,55% no ano. Sem mais comentários, acho que esse parâmetro não vai me incomodar por um bom tempo.
4) Ler pelo menos 6 relatórios anuais por ano. (Única meta que talvez eu revise para cima)
Li o relatório da Eternit este mês. Gostei do que vi, a empresa tem boa administração, e um excelente plano de diversificação, mas se a proibição do amianto ocorresse hoje, a cotação na bolsa iria sangrar bastante. Vou pagar pra ver.
5) Aprender, aprender, aprender.
Travei no livro "security analysis" do Benjamin Graham, que também não é tão bom e objetivo quanto "Investidor Inteligente", e ainda estou na metade. Em compensação, li um balanço completo, e também li o livro do Décio Bazin. Bem simplista, foca na estratégia de dividendos, e conta boas estórias da bolsa, verdade ou não, já que ele é adepto da teoria da conspiração em relação a manipulação dos índices. Mas é bom ler um pouco sobre o caso brasileiro, já que falta literatura de qualidade no universo tupiniquim.

Sem mais,

Um abraço do Urso!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Fechamento de Fevereiro/2013

Bom dia a todos.

Vou começar esse post falando dos acontecimentos recentes da blogosfera, e meu posicionamento. Depois que vários blogueiros de finanças que divulgavam seu patrimônio fecharam seus blogs, com medo de ter a identidade revelada, e tudo que pode decorrer disso, eu decidi manter o meu. Não somente pelo meu patrimônio ser irrelevante ainda, mais também por que o blog me ajuda a manter o foco nos investimentos, já que me obriga a fazer planilhas, calcular rendimentos, etc. Porém, vou evitar personalizar demais as coisas que escrevo. Não vou mais escrever sobre assuntos muito pessoais. E também não vou divulgar minha carteira completa. Claro que alguém que leia todo o blog vai acabar tendo uma boa ideia, pq não vou deixar de comentar uma ou outra ação individualmente. Dito isto, vamos aos números

Bom,, é o segundo fechamento do ano, meu segundo mês depois de entrar na bolsa. IBOV vem sofrendo um pouco, apesar da recuperação do final do mês, mas eu consegui uma boa rentabilidade. O ponto negativo fica por conta dos aportes, esse mês só coloquei R$700,00 em dinheiro novo.
Conforme a planilha do AdP:




Este mês optei também por adicionar um gráfico semelhante ao que a Jovem Investidora utiliza, para  acompanhar a meta anual de patrimônio. Ficou assim:


Este gráfico evidencia a importância do aporte no início da formação do patrimônio. Mês passado tive rentabilidade negativa, mas aportei forte e bati a meta. Este mês a rentabilidade foi muito boa, mas o aporte fraco, então fiquei bem abaixo da meta.

Recebi cerca de sessenta reais em dividendos da Vivo.

Voltando as metas qualitativas:

1) Bater a inflação todo ano. (não dá para perder dinheiro) 
Este mês recuperou totalmente a queda de janeiro na minha carteira. A inflação oficial ainda não saiu, mas notícias ao longo do mês dão conta de que está em queda em comparação com janeiro. Mês passado o índice foi 0,86%. Caso o índice se repetisse, teriamos 1,73% de inflação acumulada. Como tenho um rendimento no ano de 1,65% e a inflação está em queda, é quase certo que eu bata o índice este mês.
2) Bater a poupança todo ano. (Senão de que serve tanto tempo lendo livros e blogs?)
Esse foi batido com folga. O acumulado da poupança nova está em 0,82%
3) Bater o ibovespa todo ano. (BOVA11 ou outros estão aí pra quem quer seguir índices)
Bati a bovespa novamente, e isso está começando a indicar um acerto nos meus investimento, pois estou me descolando do índice. Enquanto a o IBOV caiu cerca de 5,8% desde o início do ano, meus investimentos estão em alta. So PETR4 que está me ferrando, mas tenho um preço médio bom, de 19, vou guardar e pagar pra ver.
4) Ler pelo menos 6 relatórios anuais por ano. (Única meta que talvez eu revise para cima)
Li o relatório da petro, 2013 ainda vai ser um ano ruim, dificil nas palavras da presidente.
5) Aprender, aprender, aprender.
Continuo com uma estratégia mais voltada para ler livros, mas sei que terei de me voltar para os balanços em algum momento. Por isso fiz um compilado de boas empesas dos índices IBOV, SMALL CAP  e MID-LARGE CAP, e pesquisei as datas em que os resultados do 4T12 saem. Estou com cerca de 40 empresas para estudar, e talvez ainda enxugue um pouco mais. Comprei o "security analysis" do Benjamin Graham, e o bicho é gigante, haja disposição!

Um abraço do Urso!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A falência do modelo atual de Previdência

Esse é o primeiro post técnico do blog. mas isso não significa que eu sei alguma coisa. Tudo que eu escrevo aqui são opiniões pessoais, não me levem a sério. Se minha opinião valesse alguma coisa, eu tava vendendo, e não colocando aqui, hehehe.

O objetivo desse post é mostrar como investimento em previdência pode ser considerado arriscado, e com isso mostrar porque todos tem que montar sua própria carteira, e buscar a independência financeira independente de onde trabalha, exceto que já é rico (EIKE inveja).
Dividi o post por categorias de previdência, desde o funcionário público estatutário, até o profissional liberal que busca um PGBL ou VGBL.

Funcionário Público estatutário



Ah, a carreira pública.... O santo graal dos advogados. A renda e a aposentadoria garantidos para sempre.
Além de tudo, excelentes salários, que podem chegar a R$ 28.000,00. Porém, a moleza está acabando. Graças à lei 12.618/2012 e o decreto nº 7808/2012, os novos entrantes do serviço público farão juz a aposentadoria normal do INSS, e seu magnífíco teto, atualmente em R$ 4.157,05. Adicionalmente o poder público criou um fundo, o FUNPRESP, que servirá como previdência complementar, nos moldes das outras fundações tanto de empresas públicas quanto privadas, a exemplo do BB, BNDES, Petrobras, Vale, etc, instituido na modalidade contribuição definida, onde o valor do benefício depende do valor aplicado e da taxa de rentabilidade auferida.
Para quem não sabe, a aposentadoria integral e a estabilidade foram criados em uma época onde o setor público pagava mal, e precisava incluir benefícios para atrair servidores. Porém, nos tempos atuais isso deixou de ser verdade, e faz até sentido eliminar a aposentadoria integral, que gera custos absurdos para o governo, que gera déficits, que gera impostos, que são grandes âncoras para o crescimento do país.
Justo, mas justo na nossa vez?
É meu amigo, em termos de previdência, ser estatutário vai ser igual a ter uma previdência complementar.
Aliás, o Estado do RJ, já operacionalizou o fundo e já tem gente contribuindo. Na escala federal o processo se dava de maneira mais ampla.
Quem já é servidor, pode optar por qual modalidade quer ficar, mas tenho certeza que ninguém vai abrir mão do regime antigo, a não ser obrigado. Conhecendo os governos, imagino que daqui uns dez anos alguem mude a regra e diga que quem não adquirir condições de se aposentar até 2025 é obrigado a migrar, pq isso já aconteceu antes, quando instituiram o fator previdenciário!

Funcionário Público Celetista ou funcionário de empresa que possui previdência complementar (e estatutários que entrarem no FUNPRESP)


A regra é simples. Todo mês você pega uma parcela considerável do seu salário (gira entre 10 e 20% do salário bruto), entrega a um fundo gestor, que te promete uma de duas coisas.
1 - No plano de benefício definido - BD (em extinção), seu dinheiro entra no mesmo bolo coletivo de todos os participantes do fundo, e você contribui cada vez mais, de acordo com seu salário, mas com a promessa de receber para sempre a média dos seus últimos X salários (varia de 1 a 5 anos anteriores)
2 - No plano de contribuição definida - CD (cada vez mais comum, por ser  mais seguro e fácil de gerir), você tem opções de valor de contribuição, mas sem a promessa de receber seu último salário. A vantagem é que o seu saldo é individual, e isso mitiga o risco de insolvência do plano.
O que tenho visto nesses planos é que não estão adaptados para trabalhar no "Brasil do juro baixo". Esses fundos tem uma meta atuarial, uma taxa de desconto, que é a rentabilidade que eles prometem obter acima da média. Quase todos os fundos prometem mais do que podem cumprir, principalmente levando em consideração que grande parte do patrimônio é aplicado em renda fixa (não sei se tem legislação para essa alocação).
Quando eles furarem feio essa meta (alguns prometem render 6% acima da inflação), vão acontecer duas coisas.
1 - No BD a soma de todas as contribuições a receber (ATIVO), vai ficar menor que a soma de todos os benefícios a se pagar (PASSIVO ATUARIAL). Então os aposentados vão consumir todos os recursos, e o zé mané que acabou de entrar pra empresa vai passar anos contribuindo sem receber nada depois. Isso já aconteceu, vide AERUS, o plano de previdência da VARIG.
2 - No CD, o seu bolo individual vai ficar bem menor do que o esperado, e você vai receber um salário extra mixuruca...
Tem duas características que podem fazer esse tipo de investimento valer a pena. Baseando-se no fato que a empresa (vulgo PATROCINADOR) é geralmente responsável solidária pelo fundo, ter um plano de previdência complementar se você trabalha numa grande empresa, pública ou privada, vale a pena porque:
1 - A empresa pode aportar dinheiro para resgatar o fundo, mas em condições bem específicas(a PREVIC vem apertando o cerco), e vai respingar merda em cima de todo mundo, mas todo mundo vai receber, caso o plano tenha dificuldades
2  - A empresa costuma depositar uma quantia de dinheiro proporcional a sua, as vezes em montante igual ao seu. Começar com logo com 100% de rentabilidade não está nada mal.
Na presença dessas 2 características, é uma opção viável ter um plano de previdência. E quando eu digo viável, eu digo possível, bom, mas não é zero risco!

Previdência privada (PGBL e VGBL)


Esse é o campo que tenho menos conhecimento, então me corrijam se eu estiver errado. Não existe promessa de salário, não existe promessa de rentabilidade. Aqui você está confiando que um gestor qualquer vai conseguir uma rentabilidade melhor que a sua, melhor que o índice, e ao invés de ganhar o mercado e virar o próximo Warren Buffet, ele vai ficar naquele fundo de previdência, ganhando geralmente um salário de merda... Na boa, não levo fé mesmo. Isso sem nem falar das taxas, que geralmente comem boa parte da rentabilidade, Não faz sentido nenhum. Abatimento do imposto de renda? Nunca fiz as contas,   mas não acredito que valha mesmo a pena. Só vejo um tipo de pessoa se beneficiando desse tipo de investimento: aquelas que gastam mais do que ganham, que só conseguem juntar alguma coisa se tiverem boleto pra pagar, se for desconto em folha, como a Ostra bem colocou no seu último post. Pra todos os outros, não recomendo.

Bom mas e ai? Qual a saída?
Bom, não tenho a resposta. O que eu tenho feito é estudado muito, tento manter a disciplina financeira, sem largar mão de viver. Nada é garantido, e o melhor investimento que existe é em conhecimento. Por enquanto isso é tudo, e novamente, se tivesse uma resposta fácil, eu vendia, não postava de graça num blog, heheheh.

Fontes:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Decreto/D7808.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12618.htm

Um abraço do Urso!